domingo, 9 de março de 2014

. Aprendizagem por observação: para ver!

. Processos cognitivos: a aprendizagem


A aprendizagem consiste numa modificação relativamente estável do comportamento ou do conhecimento, que resulta do exercício, experiência, treino ou estudo. Em termos gerais podemos dividir a aprendizagem em dois grandes grupos: a aprendizagem não simbólica e a aprendizagem simbólica. A primeira tem a ver com os comportamentos diretamente relacionados com os estímulos provenientes do meio e que são previsíveis na presença do estímulo. A segunda, tem a ver com os comportamentos que envolvem interpretação - atribuição de significados -, como cumprimentar as pessoas, escrever o sumário, ler este texto, etc. De seguida, estudaremos dois tipos de aprendizagem não simbólica - aprendizagem não associativa e aprendizagem associativa - e dois tipos de aprendizagem simbólica - a aprendizagem por observação/imitação e a aprendizagem com recurso a símbolos e representações -.
1. APRENDIZAGEM NÃO ASSOCIATIVA
É pela aprendizagem não associativa que aprendemos a selecionar os estímulos a que devemos e não devemos dar importância. Quando se trata de selecionar os estímulos do meio ambiente que nos interessam, deixando de reagir aos que não são importantes, diz-se que aprendemos por habituação. Como acontece, por exemplo, quando passamos a ignorar o barulho dos automóveis lá fora para conseguir continuar a estudar no interior do nosso quarto. Quando, pelo contrário, aprendemos a identificar estímulos que nos perturbam ou ameaçam, dando-lhe a devida importância, dizemos que aprendemos por sensitização. Como acontece, por exemplo, quando nos assustamos com o disparo de uma pistola.
2. APRENDIZAGEM ASSOCIATIVA
A aprendizagem associativa é mais complexa do que a habituação e a sensitização, uma vez que somos levados a associar estímulos e respostas. O melhor exemplo de aprendizagem associativa é o condicionamento clássico, que já estudaste a propósito da noção de reflexo condicionado descoberto por Pavlov nas suas experiências sobre os reflexos digestivos do cão.
3. APRENDIZAGEM POR OBSERVAÇÃO E IMITAÇÃO
Este é um tipo de aprendizagem que fazemos de forma espontânea desde os primeiros anos de vida e ao longo de todo o processo de socialização. Trata-se de observar e imitar os outros - pais, professores, ídolos... - cujos comportamentos reconhecemos como modelos sociais a seguir. Daí que também seja conhecida por aprendizagem social ou aprendizagem por modelação.
4. APRENDIZAGEM COM RECURSO A SÍMBOLOS E REPRESENTAÇÕES
Este é o tipo de aprendizagem presente na aquisição de conhecimentos novos de modo a integrá-los nos conhecimentos já adquiridos preservados pela memória. Como acontece, por exemplo, quando aprendes uma matéria nova que supõe a compreensão de outra anterior - não podes compreender o que é um reflexo condicionado sem antes teres compreendido o que é um reflexo -.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

. Tipos de memória


MEMÓRIA A CURTO PRAZO : é uma memória que retém a informação durante um período limitado de tempo, podendo ser esquecida ou passada para a memória a longo prazo. Tem duas componentes: a memória imediata e a memória de trabalho. Na memória imediata, o material recebido fica retido uma fração de tempo - cerca de 30 segundo. Se repetirmos mentalmente a informação - por exemplo, quando repetimos um código que não tivemos oportunidade de escrever -, o tempo pode alongar-se. Nesse caso, falamos de memória de trabalho: mantemos a informação enquanto nos é útil.
MEMÓRIA A LONGO PRAZO : trata-se de uma memória que é alimentada pelos materiais da memória curto prazo que são codificados, isto é, a que é atribuído um significado. Pode reter os materiais durante horas, meses ou toda a vida. Existem dois tipos de memória longo prazo que dependem de estruturas cerebrais diferentes: a memória declarativa e a memória não declarativa. A não declarativa é uma memória automática, ativada sempre que é necessário e sem que nos demos conta disso. Como quando voltamos a andar de bicicleta, depois de não o fazermos há algum tempo, sem que precisemos de parar para recordar como se faz. Também se chama, por isso mesmo, memória implícita ou sem registo. A memória declarativa, também designada por memória explícita ou com registo, por sua vez, implica a consciência do passado, do tempo, reportando-se a acontecimentos, factos e pessoas. É esta memória que te permite, por exemplo, recordar as fórmulas da matemática, os dias de aniversário dos teus amigos... Dentro desta memória distinguem-se ainda dois subsistemas, a memória episódica e a memória semântica. A primeira, envolve recordações e reporta-se a lembranças da tua vida pessoal - o rosto dos familiares, o nome dos ídolos... -, daí também se chamar autobiográfica. A segunda, refere-se ao conhecimento geral sobre o mundo. Como, por exemplo, as leis da física, os conhecimentos que já adquiriste em Psicologia... Trata-se, portanto, de uma memória que não implica a localização no tempo. 

sábado, 5 de maio de 2012

. Processos cognitivos: a memória




Outro dos processos cognitivos é a memória. Sem ela não saberíamos quem somos nem a razão por que fazemos o que fazemos. É graças a ela que retemos informação e conhecimentos úteis nas mais variadas situações, das mais simples às mais complexas. Assim como é ela que se encarrega de apagar a informação entretanto tornada desnecessária, de modo a ficarmos aptos a adquirir nova informação. É, por isso mesmo, essencial para a nossa sobrevivência. Permite-nos representar o mundo e situarmo-nos nele, em função do passado, do presente e do futuro.
Em termos do seu funcionamento, podemos isolar três processos: aquisição/codificação, armazenamento e recuperação.
1- Aquisição/Codificação - é a primeira operação da memória que prepara as informações sensoriais para serem armazenadas no cérebro. Os dados são traduzidos num código, que pode ser acústico, visual ou semântico.
2- Armazenamento - depois de codificada, a informação é guardada no cérebro. Não se trata, no entanto, de uma gravação como se de um DVD se tratasse. Não há um lugar para cada acontecimento. Cada um dos elementos associados à memória de um determinado acontecimento, por exemplo o teu último aniversário, está registado em diferentes áreas cerebrais, registada em diferentes códigos, contribuindo cada um deles para formar a recordação que evocas.
3- Recuperação - nesta etapa, recupera-se efetivamente a informação, isto é, lembramo-nos, recordamo-nos, evocamos.

domingo, 29 de abril de 2012

. Mecanismos percetivos: o exemplo da visão

A perceção visual é muito mais do que aquilo que vemos, não se trata de uma cópia fidedigna daquilo que temos à nossa frente. Não se trata de um processo fotográfico, é no cérebro que se vão estruturar e organizar as representações do mundo, é no cérebro que se dá sentido ao que vemos e ouvimos. A prova disso é que o cérebro corrige as informações que recebemos e que às vezes nos iludem.  Ou seja, apesar de recebermos sensações diferentes de um mesmo objeto, temos a tendência a percecioná-lo da mesma forma. Chama-se a isso constância percetiva. Vejamos os exemplos seguintes:

1. Constância de tamanho: percecionamos o tamanho de um objeto ou de uma pessoa independentemente da distância a que se encontra. Ao contrário do que parece - os objetos mais distantes parecem mais pequenos - percecionas as coisas como tendo o mesmo tamanho: o lápis à tua frente parece maior do que o lápis na mesa do professor. No entanto, o cérebro ajuda-te a perceber que se trata do mesmo objeto com o mesmo tamanho.
2. Constância da forma: um objeto nunca forma a mesma imagem retiniana: a luz é diferente, a incidência e o ângulo do olhar também, a distância muda constantemente, etc... Ainda assim, percecionamos sempre a roda de um automóvel como redonda, mesmo que o ângilo de visão lhe dê uma forma elíptica. Percecionamos a porta como retangular quando, ao abri-la, ela perde essa forma.

3. Constância do brilho e da cor: mantemos constantes o brilho e a cor dos objetos, mesmo quando as circunstâncias físicas nos dão outra onformação. Percecionamos uma casa branca em plena luz do sol, e continuamos a percecioná-la assim à noite; percecionamos sempre o sangue vermelho e a neve branca, independentemente da quantidade de luz. Ou seja, a memória e a experiência retêm as características dos objetos, que são atualizadas quando os percecionamos em circunstâncias físicas distintas.
Conclusão: a imagem que temos do mundo é construída. Corrigimos mentalemnte, e de modo automático, o conteúdo da nossa perceção de modo a manter a regularidade/constância do mundo externo. Ou seja, a perceção depende das nossas experiências pessoais - a subjetividade - e permite-nos uma melhor adaptação ao meio.

. Processos cognitivos: a perceção


A perceção começa nos orgãos recetores que são sensíveis a estímulos específicos. Ao processo de deteção e receção dos estímulos nos orgãos dos sentidos dá-se o nome de sensação, que é traduzida em impulsos nervosos. Estes impulsos nervosos são conduzidos ao sistema nervoso central e posteriormente processados pelo cérebro. Esquematicamente: estímulo físico - orgão recetor - impulsos nervosos - perceção.
Ou seja, embora comece por uma sensação, a perceção é muito mais do que isso, ela envolve a interpretação das informações sensoriais recebidas. Quando sentes um odor - sensação -, identifica-lo, reconhece-lo, atribuis-lhe um espaço e até podes relacioná-lo com um momento preciso ou determinada pessoa. Numa palavra, atribuis-lhe um significado, em função da tua experiência e expectativas, e isso já é percecionar.

domingo, 22 de abril de 2012

. Os processos mentais


Os processos mentais podem ser agrupados em três grandes categorias: os processos cognitivos, os processos emocionais e os processos motivacionais.
Os processos cognitivos estão relacionados com o saber, com o conhecimento, e relacionam-se com a utilização, transformação e criação da informação do meio interno (corpo) e do meio externo. A perceção, a memória, a aprendizagem, a inteligência, o pensamento e a atenção, são os processos cognitivos que estudaremos.
Os processos emocionais estão relacionados com o sentir, são estados vividos pelo sujeito marcados, portanto, pela subjetividade. Correspondem às vivências de prazer e desprazer e à interpretação das relações que temos com as pessoas, objetos e ideias. As emoções, os afetos, os sentimentos e a inteligência emcional, são os processos emocionais de que nos ocuparemos.
Os processos motivacionais estão relacionados com o fazer, expressam-se em ações, em comportamentos. São os processos motivacionais que explicam a fome, a sede, o sono, e também o desejo de estar com os outros, a autorealização pessoal, etc.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

. Cérebro



O cérebro é constituído por dois hemisférios, o esquerdo e o direito, ligados pelo corpo caloso. Cada hemisfério é composto por quatro lobos - occipital, parietal, temporal e frontal - que têm funções específicas.
O cortex cerebral é a camada cinzenta que cobre os hemisférios cerebrais. Aí existem dois tipos de áreas: áreas sensoriais ou primárias e áreas psicossensoriais ou secundárias. As áreas sensoriais recebem informações provenientes dos orgãos dos sentidos que chegam ao cérebro e emite-as para as áreas secundárias. As áreas psicossensoriais interpretam, organizam e coordenam as informações provenientes das áreas primárias

Áreas primárias
Área Motora - responsável pelos movimentos do corpo
Área Visual - recebe os dados sensoriais provenientes dos olhos, possibilita a visão, a forma, a cor e o movimento dos objectos
Área Auditiva - recebe os sons elementares possibilitando a audição
Área Sensorial- possibilita a recepção de sensações como o tacto, a dor, o calor, o frio...


Áreas secundárias: psicomotora, psicovisual, psicoauditiva, psicossensorial


Unidade Funcional do Cérebro
O facto de o cérebro estar dividido em dois hemisférios e áreas com papeis disitintos não significa , como se pensou durante muito tempo, que não exista interacção entre eles. A prova disso mesmo é que existem actividades mais complexas, como ler, que implicam a aintervenção simultânea de diferentes áreas e dos dois hemisférios. Além disso, existe a função de suplência ou vicariante, isto é, se uma zona for lesionada, a sua função poderá ser substituída por uma área vizinha. Ficando assim provado que o cérebro não é um somatório de áreas sem comunicação entre si, mas uma unidade funcional e integrada.


. Sistema Nervoso Central

O SNC é constituído pela medula espinal e pelo encéfalo.

A medula espinal encontra-se no interior da coluna vertebral e desempemha duas funções fundamentais: de coordenação e condução. É a medula espinal que coordena, por exemplo, o reflexo sensoriomotor: resposta imediata, involuntária e automática a um estímulo, sem qualquer intervenção do cérebro (ex. quando afastamos a mão do fogo). Para lá da função de coordenação, a espinal medula conduz a informação do cérebro para a periferia e da peroferia para o cérebro.

O encéfalo encontra-se no interior do crânio, acima da medula espinal, e é constituído por diferentes estruturas: hipófise, hipotálamo, corpo caloso, córtex cerebral, tálamo, formação reticular, cerebelo, bolbo raquidiano...

Hipófise - glândula que controla e dirige a actividade do sistema endócrino
Hipotálamo - regula o sistema endócrino, a fome, a sede, o impulso sexula...
Corpo caloso - liga os dois hemisférios
Córtex cerebral - controla os movimentos voluntários, a percepçãp, o pensamento...
Tálamo - recebe e transmite informação de e para o córtex cerebral
Formação reticular - papel importante na atenção, memória, sono e estado de alerta
Cerebelo - coordena os movimentos e assegura a manutenção do equilíbrio


domingo, 26 de fevereiro de 2012

. Sistema Nervoso Periférico



O SNP é constituído por um conjunto de nervos que estabelecem relações entre o Sistema Nervoso Central e o resto do organismo. É graças ao SNP que o cérebro e a medula espinal recebem e enviam informações que nos permitem reagir aos estímulos do meio interno e externo. Trata-se de um sistema constituído por outros dois sistema, o Somático e o Autónomo.






SISTEMA NERVOSO SOMÁTICO: assegura as relações entre o Sistema Nervoso Central e o meio. É constituído por nervos de três tipos: sensoriais - enviam informações da periferia ao SNC -, motores - conduzem as mensagens do SNC para os músculos e glândulas - e de conexão, que ligam os dois primeiros.






SIATEMA NERVOSO AUTÓNOMO: regula o funcionamento do meio interno do organismo. É independente do SNC, regulando de modo automático e involuntário o funcionamento dos orgãos internos. Daí que não tenhamos consciência de grande parte das funções controladas por este sistema, como o batimento cardíaco e a respiração... É constituído por duas dicisões: divisão simpática - é mobilizada quando o organismo precisa de mais energia, como nas situações de stress ou medo... - e divisão parassimpática - reduz a atividade do organismo, conservando a energia, e domina os períodos de relaxamento e calma -.



. Sistema Nervoso

. Bases biológicas do comportamento






Grande parte dos processos inicia-se nos orgãos dos sentidos, que captam as informações do meio. Estas informações são interpretadas e tratadas pelo sistema nervoso, que coordena, processa e desenvolve as respostas aos estímulos recebidos. Respostas essas que são efetuadas pelos músculas e glândulas. Daí que possamos falar em três tipos de mecanismos: de receção, de coordenação e de reação:




Mecanismos de receção: orgãos que recebem os estímulos do meio externo ou interno (cinco sentidos...).



Mecanismos de coordenação: estruturas que coordenam as informações recebidas e desenvolvem respostas concretizadas pelos efetores (sistema nervoso central e periférico).



Mecanismos de reação: orgãos responsáveis pelas respostas/reações aos estímulos (músculos e glândulas).

domingo, 12 de fevereiro de 2012

. Níveis de desenvolvimento: filogénese, ontogénese e epigénese





Quando falamos em desenvolvimento do ser humano tanto podemos referir-nos ao desenvolvimento da espécie como ao desenvolvimento do indivíduo. Quando falamos de desenvolvimento da espécie recorremos à palavra filogénese, uma palavra de origem grega cujo étimo remete para os conceitos de phylé (tribo) e génesis (produzir, gerar). Quando falamos do desenvolvimento do indivíduo usamos a palavra ontogénese, também de origem grega: onto (ser) e gen (produzir, gerar).
Filogénese: conjunto de processos de evolução dos seres vivos desde os mais elementares aos mais complexos; é o conjunto de processos biológicos de transformação que explicam o surgimento das espécies e a sua diferenciação.
Ontogénese: desenvolvimento do indivíduo desde a fecundação até ao estado adulto, para alguns autores até à morte.
Durante muito tempo, pensou-se que o desenvolvimento individual - ontogénese -era o reflexo direto da epigénese. Ou seja, que o desenvolvimento individual era exclusivamente determinado pelos factores genéticos, substimando os fatores ambientais - determinismo biológico -. Hoje, já ninguém pensa dessa maneira, o que nos leva a pensar um terceiro conceito: epigénese.
Epigénese: etimologicamente significa "o que se acrescenta ao genoma" e refere-se a tudo o que não é determinado pelo património genético. Dito de outra maneira: os organismos dependem da estrutura genética herdada, mas também das influências que o meio exerce sobre essa mesma estrutura. O embrião desenvolve-se a partir de um estado simples e homogéneo. Neste processo desenvolvem-se potencialidades que não estavam presentes no ovo fertilizado original, mas que se desenvolvem a partir da influência do meio. Como fica provado no caso dos gémeos verdadeiros ou homozigóticos de que já falámos a propósito das noções de genótipo e fénótipo.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

. Desenvolvimento: hereditariedade e meio



A formação da personalidade está sujeita à influência de múltiplos fatores. Estes fatores podem ser divididos em dois grandes grupos: hereditariedade e meio.



Por hereditariedade entende-se tudo aquilo que herdamos dos nossos progenitores, as características biológicas e as potencialidades intelectuais inscritas no nosso código genético transmitido através dos cromossomas. A transmissão genética dá-se através de uma célula da mãe - o óvulo - e uma célula do pai - o espermatozóide -, cada uma com 23 cromossomas. Juntas asseguram os 46 cromossomas característicos da espécie humana. Os cromossomas são constituídos por genes que contêm a informação biológica que vai permitir o desenvolvimento de determinadas características do indivíduo. Os genes são constituídos por moléculas de ADN. O código genético é a sequência de genes existentes nos cromossomas e que caracterizam uma determinada espécie. Daí que possamos falar em hereditariedade específica, a informação genética responsável pelas características comuns a todos os elementos de uma mesma espécia, o que nos torna humanos. E a hereditariedade individual, a que nos torna únicos entre todos os elementos da mesma espécie.



O meio, por sua vez, é tudo aquilo que não herdamos, são os mais diversos ambientes com que contactamos desde o momento da concepção - o meio intra-uterino -, ao longo da nossa vida - o meio familiar, o meio social, o meio cultural... -, que estimulam ou reprimem as potencialidades genéticas e assim se tornam igualmente determinantes na pessoa em que nos tornamos. Por exemplo: as condições psicológicas da mãe, assim como a sua alimentação e hábitos não saudáveis, como fumar, têm reflexos negativos no desenvolvimento do feto. Assim como um meio familiar equilibrado será favorável ao desenvolvimento harmonioso da criança.



Durante muito tempo, a questão dividia radicalmente os teóricos. Tínhamos os partidários da hereditariedade, isto é, aqueles que defendiam que o património genético é o grande responsável por aquilo que somos. Também conhecidos por deterministas, por defenderam que somos o resultado inevitável das características biológicas, como se estivéssemos pre-determinados pelo nosso código genético a ser inevitavelmente o que somos. E tínhamos os behavioristas, como Watson que já conheces, convencidos que seria o meio, independentemente das condições biológicas, o único responsável pela personalidade que assim iria sendo moldada no contacto com o meio. Hoje, a discussão já não faz muito sentido, uma vez que todos concordam que somos o resultado mais ou menos equilibrado da tensão entre ambos os factores: hereditariedade e meio. Como fica provado no caso dos gémeos verdadeiros separados à nascença para viver em ambientes distintos: geneticamente iguais, mas com personalidades disitntas. Daí que tenhamos que falar em outros dois conceitos: genótipo e fenótipo.



O genótipo é o conjunto de características que uma pessoa recebe por transmissão genética, a informação genética de cada indivíduo presente no ovo. O fenótipo é o conjunto de caracterísiticas físicas e psicológicas que uma pessoa apresenta, que resulta da combinação entre a herança genética (genótipo) e a influência do meio.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

. Desenvolvimento, crescimento e maturação




Desenvolvimento

Conjunto de transformações que ocorrem ao nível físico e psicológico, desde o nascimento até à morte dos indivíduos, e que visam a adaptação ao meio - natural, social, cultural -.


Psicologia do desenvolvimento

A psicologia do desenvolvimento é a área da psicologia que estuda as mudanças no ser humano, procurando conhecer as suas repercussões nos comportamentos e nos processos mentais.


Crescimento

Falamos de crescimento quando nos referimos aos aspetos físicos de aumento das dimensões como, por exemplo, o aumento de altura e de peso. É um processo que começa na fecundação e prossegue na infância e adolescência em fases que alternam alterações bruscas com períodos de consolidação. O crescimento é, portanto, um conceito mais restrito que está englobado no conceito de desenvolvimento.


Maturação

A maturação é a vertente orgânica do desenvolvimento: é o processo pelo qual a hereditariedade atua depois do nascimento. É um programa que orienta o desenvolvimento, um conjunto de transformações que conduzem um organismo à maturidade. A maturação é um processo que ocorre em todo o organismo: sistema nervoso, sistema endócriono, músculos, ossos, etc. Por exemplo, é a maturação das glândulas sexuais que estabelece o início da puberdade com todas as transformações que lhe estão associadas.

domingo, 11 de dezembro de 2011

. Piaget e o Construtivismo



Piaget (1896-1980) constitui outro grande marco na história da Psicologia. Centrou a sua investigação no desenvolvimento intelectual das crianças, a quem aplicou diversos testes de inteligência, e pretendia responder a duas questões fundamentais: 1) Como se organiza e estrutura o conhecimento?; 2) Como se forma o pensamento?.


Em relação à primeira, operou uma síntese entre as teorias que se opunham na altura: o inatismo e o empirismo/behaviorismo. O inatismo defende que o conhecimento é determinado pelas capacidades herdadas dos progenitores, ou seja, é o sujeito que organiza ativamente os dados provenientes do meio. O empirismo, como vimos a propósito do behaviorismo, defende que o sujeito é uma espécie de tábua rasa onde se inscrevem as sensações que experimentamos, ou seja, o sujeito é passivo e limita-se a reagir aos estímulos provenientes do meio exterior. Piaget, por seu turno, defende uma perspetiva intermédia. Por um lado, precisamos de ser estimulados pelo meio exterior. Por outro, somos nós, com as capacidades que herdamos, que organizamos a experiência e que lhe conferimos um sentido. Daí que diferentes sujeitos façam leituras diferentes do mesmo objeto ou situação. A esta teoria, uma espécie de síntese entre inatismo e empirismo, deu-se o nome de construtivismo, porque o conhecimento é uma construção do sujeito em permanente relação biunívoca com o meio.


Em relação à segunda pergunta, depois de muitas experiências com os grupos de crianças com quem trabalhou ao longo da vida, Piaget conclui que o desenvolvimento intelectual se processa ao longo de quatros estádios, desde o nascimento até à adolescência, uma espécie de etapas num mesmo caminho ao longo do qual descobrimos capacidades diferentes. Quais as transformações que se dão em cada um desses estádios é o que veremos no segundo módulo quando nos dedicarmos mais detalhadamente às diferentes conceções do desenvolvimento.

domingo, 4 de dezembro de 2011

. A Psicanálise



O termo psicanálise é geralmente utilizado para designar a teoria freudiana sobre o psiquismo. No entanto, trata-se apenas de um método cuja finalidade é trazer à consciência as motivações inconscientes que estão na base das perturbações nervosas. Freud estava convencido de que trazer à luz do dia as recordações recalcadas e falar abertamente delas, isto é, trazê-las à consciência e enfrentá-las, seria meio caminho andado para nos libertarmos delas e tornar a cura possível. A estratégia, por isso mesmo, consistia em interpretar as manifestações do inconscientes - os sonhos e os atos falhados - e tentar compreender o seu real significado, o motivo por que causam dor psicológica. Trata-se, portanto, de um método assente no poder da palavra e numa relação de extrema confiança entre psicanalista e paciente, para que este último não tenha receio, ou qualquer outro tipo de constrangimento - vergonha, pudor...- quando é convidado a descrever os seus sonhos ou a fazer uma associação livre de ideias. A associação livre de ideias consiste em dizer tudo quanto ocorre à cabeça sem qualquer preocupação de fazer sentido, uma espécie de ditado do pensamento sem regras ou controlo, como se as ideias/imagens se sucedessem umas às outras como peças de um e mesmo quadro. O psicanalista, por sua vez, encarregar-se-ia de analisar essas imagens e, sobretudo, as ligações livres entre cada uma delas, por muito bizarras que possam parecer.

domingo, 20 de novembro de 2011

. O Inconsciente e o funcionamento psíquico segundo Freud



Depois de ter estudado com Charcot, que recorria à hipnose no tratamento das perturbações nervosas, e com Breuer, com quem aprofundou os seus cohecimentos, Freud abandona o trabalho em equipa e desenvolve a sua própria teoria sobre o funcionamento psíquico. Para o cientista austríaco era evidente que as causas da histeria, com sintomas físicos, só podiam ser de ordem psíquica, uma vez que os doentes não apresentavam nenhum problema a nível orgânico. Ora, se a origem desses problemas era psíquica e não havia consciência disso, para lá de psíquicas, as causas só podiam ser não conscientes. O mesmo é dizer, a causa da histeria estava no inconsciente.

E que é o inconsciente? O inconsciente, à semelhança do que se passa em nossas casas, seria uma espécie de cave onde vamos acumulando aquilo que já não serve ou que não é útil de momento. Neste caso estaríamos a falar de tudo quanto nos impede de estarmos bem connosco próprios e de acordo com o socialmente aceite: desejos sexuais considerados inaceitáveis, medos irracionais, fantasias, recordações que causam dor e impulsos violentos. Ou seja, para lá daquilo que controlamos - as percepções, os pensamentos, os conhecimentos -, e de que temos consciência, estaria uma série de energia acumulada, inconsciente, pronta a sair da cave e a surpreender-nos quando menos esperamos em forma de lapso - quando trocamos os nomes às pessoas, por exemplo - e de perturbação nervosa - a histeria e tantas outras -. Perceber como é que isso acontece é o que faremos de seguida.

Quando somos confrontados com impulsos e desejos que colocariam o equilíbrio indivíduo-sociedade em perigo, isto é, quando tendemos a manifestar pulsões e tendências perigosas e consideradas incorretas, há uma espécie de censor que nos diz isso mesmo: atenção! O que aí vem pode ser desastroso. Como numa discoteca, o porteiro decide quem está bem vestido e pode entrar e quem não corresponde ao perfil desejável. Nesse momento, uma vez mais como na discoteca, esses impulsos ficam à porta e acabam por se retirar, neste caso permanecer no inconsciente. A este processo que consiste em mandar para trás os impulsos reprováveis Freud chamou recalcamento, um processo normal de sobrevivência individual e social. Um processo que pode transformar-se num verdadeiro problema, no entanto, quando se dá demasiadas e repetidas vezes, sem que cheguemos a libertar a energia acumulada e que acaba por se manifestar contra a nossa vontade em forma de sonho - já pensaste de onde vêm as imagens bizarras dos teus sonhos? - ou de doença quando a repressão e a carga acumulada são excessivas.

Não é por acaso que o método inventado por Freud, de que falaremos nas próximas aulas, dá particular atenção à análise à linguagem dos sonhos. Precisamente por ser um momento da nossa vida psíquica em que o porteiro, isto é, a consciência que nos lembra o que podemos e não podemos fazer, está adormecido. O mesmo é dizer, por ser um momento em que realizamos todos os nossos desejos de forma livre, ainda que de forma simbólica, e que de outra forma poderiam estar na base de doença mental.

À zona onde toda essa energia se encontra acumulada Freud chamou ID, uma zona inconsciente que tende para a satisfação imediata dos desejos e pulsões. Uma zona, portanto, sem regras, sejam de lógica, que nos obrigam a fazer sentido, sejam morais ou sociais, que nos recordam o que deve ou não ser feito. O EGO é precisamente o contrário, é a zona consciente - segundo Freud substancialmente mais pequena - que se rege pelo princípio da realidade, em oposição ao princípio do prazer que rege o ID, e que se orienta por princípios lógicos e sociais. Numa palavra, decide quais os impulsos provenientes do ID podem ou não ser ealizados. Algures entre ambos, Entre ID e EGO, está o SUPEREGO, a zona psíquica que corresponde à interiorização das normas, dos valores sociais e morais, adquiridas ao longo do processo de socialização e que pressiona o EGO para controlar o ID. Uma zona, segundo Freud, que começa a manifestar-se entre o 3 e os 5 anos.

Quando o equilíbrio entre estas três zonas psíquicas (não se trata de localizações físicas, mente não é cérebro) é posto em causa, seja porque as situações recalcadas são demasiadamente traumáticas, seja porque o SUPEREGO não se manifesta, ou então se manifesta de forma excessivamente rigorosa, corremos o risco de desenvolver uma doença mental e/ou comportamentos considerados desviantes. Para lidar com esses casos, Freud inventou um método, a Psicanálise, que merecerá a nossa atenção nas próximas aulas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

. Freud e a terceira ferida narcísica da humanidade: o inconsciente.



Depois de Copérnico, no século XVI, que invalida a hipótese geocêntrica e retira o Homem do centro do Universo, e das revelações de Charles Darwin, no século XIX, filiando a espécie humana numa raíz comum a outras espécies, Freud é conhecido por ter dado a machada final, já no século XX, na ideia que a Humanidade fazia de si mesmo: um ser criado por Deus, com estatuto especial entre os outros seres, e em pleno uso da sua vontade. E isto por uma razão muito simples: além da sua vontade, o Homem é movido por razões de que não tem consciência nem controla. Quer isto dizer que por detrás da consciência - as percepções, pensamentos e conhecimentos - existe uma dimensão mais profunda de que não temos consciência - o inconsciente - que interfere silenciosamente na vida de cada um de nós. Como é que Freud chegou a semelhante conclusão e como é que o inconsciente funciona, é o que veremos de seguida.

domingo, 6 de novembro de 2011

. Behaviorismo: a bela e o senão



Não há dúvidas que Watson deu um grande contributo para a definição do objeto de estudo da Psicologia e para o estudo do comportamento. Ainda assim, não está livre de críticas:

.trata-se de uma visão muito simplista de comportamento (estímulo-resposta), ignorando que os processos mentais dos seres humanos são muito mais complexos do que os dos animais

.substima os factores hereditários e o seu papel no desenvolvimento das respostas

.ignora que pessoas diferentes podem reagir de maneira diferente à mesma situação

.ignora que pessoas diferentes podem reagir de forma idêntica perante situações semelhantes


Para não falar do perigo que representa pensar que o comportamento humano é facilmente moldável, manipulável e controlável. Uma questão para discutirmos na aula...